terça-feira, 11 de julho de 2017

Memória operacional e aprendizagem

    Ana Lúcia Hennemann

 Imagine a seguinte situação: Você procurando um endereço e sem a possibilidade de uso do GPS!!! A estratégia é pedir informação a alguém. Simples!!! E vamos dizer que a orientação seja: - caminhe 3 quadras, dobre a primeira a direita, siga por mais 2 quadras, logo em seguida, dobre a primeira a esquerda e a esquerda novamente. Aparentemente pode ser algo fácil de lembrar, desde que sua memória operacional esteja funcionando perfeitamente. Caso contrário, terá que perguntar a várias outras pessoas de modo a relembrar a informação recebida.
     A memória operacional, também conhecida como memória de trabalho, é a que nos auxilia a reter por determinado período informações pertinentes as nossas tarefas diárias proporcionando a regulação do nosso comportamento frente a essas demandas.
     No entanto, a eficiência desta memória é limitada, pois: “solicitando que as crianças evoquem uma série de dígitos em ordem diferente da original (por exemplo, 2-8-3-7-5-1, se elas ouviram 1-5-7-3-8-2). [...] Aos 4 anos, as crianças normalmente lembram somente de dois dígitos; aos 12, normalmente lembram de seis” (PAPALIA; OLDS; FELDMAN, 2010, p. 306). E agora, exercitando a sua memória, você sabe dizer a média de dígitos que um adulto é capaz de lembrar?
    A memória operacional tem a propriedade de armazenar uma informação enquanto se realiza outra similar ou simultânea, isso pode ser percebido quando realizamos uma atividade de leitura, pois na proporção que os parágrafos são lidos se faz necessário reter as informações já absorvidas de modo a juntá-las aos próximos parágrafos. Essa capacidade é o que faz com que tenhamos o entendimento do contexto.
     Informações irrelevantes são descartadas em segundos e fazem parte de uma memória conhecida como sensorial ou imediata. Por exemplo: a criança jogando videogame e a mãe lhe faz alguma pergunta. Então como não obteve a resposta, olha para a criança e diz: - o que foi mesmo que eu te pedi? Ou seja, a criança ouviu, mas não ativou o registro desta informação. Ela ficou retida por segundos e foi descartada. Também podemos pensar na situação de largar as chaves do carro em algum local e no momento que for necessário utilizá-las, não lembrar mais onde estão.
     Contudo, se a informação for relevante ela será conservada por mais tempo na nossa consciência através do  sistema de repetição. Este por sua vez poderá acionar recursos de imaginação visual ou verbal. Por exemplo: digamos que é necessário ir ao mercado comprar: pão, leite, margarina…o indivíduo pode ir o caminho lembrando da imagem destes objetos ou repetindo o nome dos mesmos, tanto silenciosamente ou verbalizando as palavras.
    Portanto, a memória sensorial e o sistema de repetição são processos importantes para a memória operacional cuja função é reter e processar o conteúdo da informação e modificá-lo quando necessário, pois esta memória é constituída de sistemas neurais que processam vários tipos de informações (som, imagem e pensamentos) que são utilizados quando se faz necessário resolver, raciocinar ou compreender algo.
     Através da ativação de registros, ou seja, reativar a informação seja através da repetição ou por mecanismos de associação (sinais e pistas que auxiliem a relembrar a informação) a memória operacional pode aumentar seu tempo de durabilidade, tanto em horas quanto em dias. Por exemplo: você estaciona o carro no mercado cuja indicação do local marcava letra “J”, poderá logo fazer associações desta letra com outras informações: “J” de jacaré, poderá imaginar um jacaré dirigindo o seu carro, por exemplo.
     Como podemos perceber a memória operacional é fundamental para a aprendizagem, sendo que prejuízos nesta memória podem ocasionar desde situações de esquecimento das informações até mesmo inabilidade de responder as demandas diárias. Por isso, precisamos pensar em práticas que visem a higiene mental, tais como: exercício de respiração, meditação, prática de atividades físicas (caminhada, dança), recursos que melhoram a eficiência desta memória.
    Além do entendimento de atividades salutares, precisamos entender que para aprendermos necessitamos exercitar a memória, pois “a aprendizagem só ocorre com a formação e estabilização de novas conexões sinápticas, o que requer tempo e esforço pessoal” (COSENZA; GUERRA, 2011), por isso estudantes que somente recorrem ao conteúdo das provas nas vésperas das mesmas, não estão dando oportunidade para que estas aprendizagens sejam consolidadas na memória. Aprendizagem requer hábitos de estudo, preferencialmente com rotina diária contemplando período de 30 a 60 minutos em ambiente com poucos distratores onde o estudante consiga focar naquilo que ele está se propondo, seja lendo, seja fazendo exercícios, seja assistindo vídeo sobre o conteúdo que está estudando.

    Enfim, ações simples realizadas diariamente, com perseverança, podem auxiliar no pleno desempenho da memória operacional, sendo que pais e professores podem proporcionar aos estudantes o entendimento da importância dos hábitos de estudo, bem como, de atividades de higiene mental. Sendo que também há atividades de treino que podem melhorar o desempenho dessa memória, mas isso ficará para uma próxima publicação. 
Referência Bibliográfica:
COSENZA, Ramon. GUERRA, Leonor. Neurociência e Educação: como o cérebro aprende. Porto Alegre: Artmed, 2011.
PAPALIA, D. OLDS,  Wendkos. FELDMAN, Duskin. O Mundo da Criança - Da Infância à Adolescência , 11 ed. Porto Alegre: Artmed, 2010.
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[1]Especialista em Alfabetização, Neuropsicopedagogia e Educação Inclusiva, Neuropsicopedagogia Clínica e Neuroaprendizagem. - whatsApp - 51 99248-4325
Como fazer a citação deste artigo:
HENNEMANN, Ana L.  Memória Operacional e Aprendizagem.  Novo Hamburgo, 11 de julho/ 2017. Disponível online em:   http://neuropsicopedagogianasaladeaula.blogspot.com.br/2017/07/memoria-operacional-e-aprendizagem.html

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