sábado, 15 de julho de 2017

Processamento Léxico e fonológico – modelo cognitivo de “dupla rota”

Ana Lúcia Hennemann¹
     
    Estudos das neurociências trouxeram a compreensão de muitas interfaces entre cérebro e aprendizagem, sendo que na atualidade já é possível verificar quais processos cognitivos são acionados quando um indivíduo executa determinadas tarefas. Deste modo, pesquisas relacionadas a área da leitura tem proporcionado a compreensão de vários processos específicos que precisam trabalhar em harmonia de forma a tornar o indivíduo um leitor mais eficiente, ou então, entender e poder intervir quando alguém apresenta dificuldades relacionadas à leitura.
     Corso e Salles (2009) em estudo da “Relação entre leitura de palavras isoladas e compreensão de leitura textual em crianças” explicam que para a leitura de palavras impressas acionamos o nosso léxico mental, este engloba dois processos diferentes: rota fonológica e rota léxica, por isso os mesmos são conhecidos como modelo cognitivo de “dupla rota”, porém, um leitor competente precisa dominar os dois processos para que o reconhecimento da palavra possa ser mais eficaz.

     A rota fonológica é responsável pela decodificação do grafema/fonema, por exemplo para leitura da palavra: “chivanerfluzba”, que na verdade se trata de uma pseudopalavra, o leitor, embora desconheça a palavra e seu significado, conseguirá ler fazendo uso dos conhecimentos fonológicos.
Por isso, a leitura de palavras tanto conhecidas quanto desconhecidas, podem ser lidas pela rota fonológica, porém, na leitura de palavras irregulares, o leitor apresenta bastante dificuldade pois a correspondência letra-som não obedece uma regra geral, ou seja, na leitura da palavra táxi um leitor iniciante pode ler “tachi”, do mesmo modo ler “echercício” ao invés de “exercício”. Crianças que recém estão se alfabetizando, utilizam e muito a rota fonológica, cujo esforço de decodificação faz com que a leitura seja mais lenta e segmentada e muitas vezes quando perguntamos sobre o significado da leitura, ela poderá responder que não sabe.
     Diferentemente, na rota lexical as palavras são identificadas conforme o reconhecimento de sua ortografia e também associados com outras palavras que tenham ortografias semelhantes, bem como o acesso imediato ao seu significado semântico. Por exemplo: vamos dizer que alguém lhe dita uma palavra e você fica na dúvida se a palavra é com j ou g, e imediatamente num ato automático, escreve a palavra como modo a sanar tal dúvida…isso acontece porque já temos armazenado um “dicionário léxico” que nos permite lembrar da forma ortográfica da palavra no momento em que a visualizamos. 
     O reconhecimento de palavras pela leitura é atingido precocemente por escolares sem dificuldades. (MOUSINHO; NAVAS, 2016). Entretanto, devemos lembrar que crianças, principalmente no processo de alfabetização, recém estão estruturando este dicionário, por isso é importante o maior contato possível com objetos de leitura (livros, revistas, jogos, etc).
     Do mesmo modo, hábitos de leitura diários, podem propiciar maior fluência e velocidade de processamento (capacidade de buscar as informações na memória de longo prazo), o que auxilia a criança a ter mais espaço na sua memória operacional de modo a conseguir prestar atenção a outros aspectos que envolvem a leitura, tais como: interpretação, comparação, identificação das ideias centrais.
     Vamos fazer uma experiência? Leia o parágrafo abaixo, o qual poderá lhe dar o entendimento de como se sente um indivíduo que necessita fazer constantemente somente uso da rota fonológica para a leitura de textos...
     O    u   s   o     d   a     r   o   t   a     f   o   n   o   l   ó   g   i   c   a    p   e   r   m   i   t   e     c   h    e   g   a   r     a   o     s   i   g   n   i   f  i   c   a   d   o    d   a   s    p   a   l   a   v   r   a   s     a   t    r    a   v   é   s       d   a      t    r   a   n   s   f   o   r   m  a   ç   ã   o      d   e    c   a   d   a    g   r   a   f   e   m   a     e   m     s   e   u     c   o   r   r   e   s   p    o    n   d    e    n   t     e       s   o   m   e    f   a   z   e   r     u   s   o     d   o     m    e   s   m   o     p   a   r   a    t   e   n   t   a   r     c   o   m   p   r   e   e   n   d   e   r      o   s   i   g   n   i   f   i   c   a   d   o    d   a   s    p   a   l   a   v   r   a   s.
     Talvez, este simples parágrafo tenha sido fácil para você, justamente porque já tem proficiência tanto no uso da rota léxica quanto da fonológica, porém, pode-se perceber que perdemos velocidade de processamento e fluência da leitura, imagine alguém que tenha que ler um livro fazendo uso apenas da rota fonológica! Então, pensando em todas estas situações, vamos responder as perguntas propostas no início deste artigo: - O que faz com que tenhamos maior fluência e velocidade de processamento na leitura? Será que é somente treino?
     Maior fluência e velocidade de processamento na leitura ocorre sim, através do aumento da nossa bagagem lexical. Treinos de leitura ajudam e muito, entretanto, se faz necessário entender que a criança pode apresentar déficit em algum dos componentes que fazem parte destes processos de dupla rota, fazendo com que não consigam desenvolver a fluência e a velocidade de processamento. Vejamos por exemplo: uma criança que esteja no 4º ano do ensino fundamental, onde a maioria das disciplinas exigem leituras constantes e a estratégia de leitura deste indivíduo ocorre somente pela rota fonológica. Essa situação causa um atraso na leitura e na compreensão leitora, pois acarreta no comprometimento da memória de trabalho e na busca de imagens mentais que ajudam a compreender a leitura.
    Nesse sentido devemos entender que apesar da criança fazer uso da rota fonológica, ela pode justamente ter processos desta rota que se mostram deficitários, tais como consciência fonológica, discriminação auditiva, memória fonológica, então de nada adiantará apenas treinar a leitura, pois existem outros fatores que necessitam ser desenvolvidos. Pais e professores devem levar em consideração que crianças no terceiro ano do ensino fundamental já deveriam ter todas estas habilidades bem desenvolvidas, caso contrário, se faz necessário uma avaliação do desempenho desta criança, de modo a averiguar em que aspectos ela precisa ser estimulada.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
CORSO, Helena. SALLES, Jerusa. Relação entre leitura de palavras isoladas e compreensão de leitura textual em crianças. Letras de Hoje, Porto Alegre, v. 44, n. 3, p. 28-35, jul./set. 2009
MOUSINHO, Renata. NAVAS, Ana Luíza. Mudanças apontadas no DSM-5 em relação aos transtornos específicos de aprendizagem em leitura e escrita. Revista debates em psiquiatria - Mai/Jun 2016.
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[1]Especialista em Alfabetização, Neuropsicopedagogia e Educação Inclusiva, Neuropsicopedagogia Clínica e Neuroaprendizagem. - whatsApp - 51 99248-4325
Como fazer a citação deste artigo:
HENNEMANN, Ana L.  Processamento Léxico e fonológico – modelo cognitivo de “dupla rota”. Novo Hamburgo, 15 de julho/ 2017. Disponível online em:   http://neuropsicopedagogianasaladeaula.blogspot.com.br/2017/07/processamento-lexico-e-fonologico.html

terça-feira, 11 de julho de 2017

Memória operacional e aprendizagem

    Ana Lúcia Hennemann

 Imagine a seguinte situação: Você procurando um endereço e sem a possibilidade de uso do GPS!!! A estratégia é pedir informação a alguém. Simples!!! E vamos dizer que a orientação seja: - caminhe 3 quadras, dobre a primeira a direita, siga por mais 2 quadras, logo em seguida, dobre a primeira a esquerda e a esquerda novamente. Aparentemente pode ser algo fácil de lembrar, desde que sua memória operacional esteja funcionando perfeitamente. Caso contrário, terá que perguntar a várias outras pessoas de modo a relembrar a informação recebida.
     A memória operacional, também conhecida como memória de trabalho, é a que nos auxilia a reter por determinado período informações pertinentes as nossas tarefas diárias proporcionando a regulação do nosso comportamento frente a essas demandas.
     No entanto, a eficiência desta memória é limitada, pois: “solicitando que as crianças evoquem uma série de dígitos em ordem diferente da original (por exemplo, 2-8-3-7-5-1, se elas ouviram 1-5-7-3-8-2). [...] Aos 4 anos, as crianças normalmente lembram somente de dois dígitos; aos 12, normalmente lembram de seis” (PAPALIA; OLDS; FELDMAN, 2010, p. 306). E agora, exercitando a sua memória, você sabe dizer a média de dígitos que um adulto é capaz de lembrar?
    A memória operacional tem a propriedade de armazenar uma informação enquanto se realiza outra similar ou simultânea, isso pode ser percebido quando realizamos uma atividade de leitura, pois na proporção que os parágrafos são lidos se faz necessário reter as informações já absorvidas de modo a juntá-las aos próximos parágrafos. Essa capacidade é o que faz com que tenhamos o entendimento do contexto.
     Informações irrelevantes são descartadas em segundos e fazem parte de uma memória conhecida como sensorial ou imediata. Por exemplo: a criança jogando videogame e a mãe lhe faz alguma pergunta. Então como não obteve a resposta, olha para a criança e diz: - o que foi mesmo que eu te pedi? Ou seja, a criança ouviu, mas não ativou o registro desta informação. Ela ficou retida por segundos e foi descartada. Também podemos pensar na situação de largar as chaves do carro em algum local e no momento que for necessário utilizá-las, não lembrar mais onde estão.
     Contudo, se a informação for relevante ela será conservada por mais tempo na nossa consciência através do  sistema de repetição. Este por sua vez poderá acionar recursos de imaginação visual ou verbal. Por exemplo: digamos que é necessário ir ao mercado comprar: pão, leite, margarina…o indivíduo pode ir o caminho lembrando da imagem destes objetos ou repetindo o nome dos mesmos, tanto silenciosamente ou verbalizando as palavras.
    Portanto, a memória sensorial e o sistema de repetição são processos importantes para a memória operacional cuja função é reter e processar o conteúdo da informação e modificá-lo quando necessário, pois esta memória é constituída de sistemas neurais que processam vários tipos de informações (som, imagem e pensamentos) que são utilizados quando se faz necessário resolver, raciocinar ou compreender algo.
     Através da ativação de registros, ou seja, reativar a informação seja através da repetição ou por mecanismos de associação (sinais e pistas que auxiliem a relembrar a informação) a memória operacional pode aumentar seu tempo de durabilidade, tanto em horas quanto em dias. Por exemplo: você estaciona o carro no mercado cuja indicação do local marcava letra “J”, poderá logo fazer associações desta letra com outras informações: “J” de jacaré, poderá imaginar um jacaré dirigindo o seu carro, por exemplo.
     Como podemos perceber a memória operacional é fundamental para a aprendizagem, sendo que prejuízos nesta memória podem ocasionar desde situações de esquecimento das informações até mesmo inabilidade de responder as demandas diárias. Por isso, precisamos pensar em práticas que visem a higiene mental, tais como: exercício de respiração, meditação, prática de atividades físicas (caminhada, dança), recursos que melhoram a eficiência desta memória.
    Além do entendimento de atividades salutares, precisamos entender que para aprendermos necessitamos exercitar a memória, pois “a aprendizagem só ocorre com a formação e estabilização de novas conexões sinápticas, o que requer tempo e esforço pessoal” (COSENZA; GUERRA, 2011), por isso estudantes que somente recorrem ao conteúdo das provas nas vésperas das mesmas, não estão dando oportunidade para que estas aprendizagens sejam consolidadas na memória. Aprendizagem requer hábitos de estudo, preferencialmente com rotina diária contemplando período de 30 a 60 minutos em ambiente com poucos distratores onde o estudante consiga focar naquilo que ele está se propondo, seja lendo, seja fazendo exercícios, seja assistindo vídeo sobre o conteúdo que está estudando.

    Enfim, ações simples realizadas diariamente, com perseverança, podem auxiliar no pleno desempenho da memória operacional, sendo que pais e professores podem proporcionar aos estudantes o entendimento da importância dos hábitos de estudo, bem como, de atividades de higiene mental. Sendo que também há atividades de treino que podem melhorar o desempenho dessa memória, mas isso ficará para uma próxima publicação. 
Referência Bibliográfica:
COSENZA, Ramon. GUERRA, Leonor. Neurociência e Educação: como o cérebro aprende. Porto Alegre: Artmed, 2011.
PAPALIA, D. OLDS,  Wendkos. FELDMAN, Duskin. O Mundo da Criança - Da Infância à Adolescência , 11 ed. Porto Alegre: Artmed, 2010.
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[1]Especialista em Alfabetização, Neuropsicopedagogia e Educação Inclusiva, Neuropsicopedagogia Clínica e Neuroaprendizagem. - whatsApp - 51 99248-4325
Como fazer a citação deste artigo:
HENNEMANN, Ana L.  Memória Operacional e Aprendizagem.  Novo Hamburgo, 11 de julho/ 2017. Disponível online em:   http://neuropsicopedagogianasaladeaula.blogspot.com.br/2017/07/memoria-operacional-e-aprendizagem.html

sábado, 8 de julho de 2017

Discriminação auditiva – estimulação para a alfabetização

Ana Lúcia Hennemann¹
O ato de pensar e manipular explicitamente os sons da fala exige habilidades que ultrapassam o domínio da consciência fonológica.
Toffoli e Lampretch

     Numa publicação anterior foram apresentados elementos exemplificando o que é consciência fonológica e como familiares e professores podem auxiliar no pleno desenvolvimento desta consciência que se mostra pré-requisito para a alfabetização. No entanto, existem outros subsídios que necessitam ser trabalhados para que a criança venha obter êxito no desempenho acadêmico, sendo que um deles é a discriminação auditiva. 
     A habilidade de discriminação auditiva adequada permite ao indivíduo classificar e distinguir sons uns dos outros quanto a diferenças de frequência, duração ou intensidade, bem como realizar uma comparação entre sons-alvo e outros sons concorrentes. Ela pode incluir sons não verbais ou apenas sons da fala, sendo que, quando se refere aos sons da fala, é denominada discriminação fonológica (Ferracini, Trevisan, Seabra & Dias, 2009 apud SEABRA, 2013, p.29)
     Desde o ventre materno o desenvolvimento da estrutura óssea da audição vem se formando, sendo que Papalia, Olds e Feldman (2011) nos dizem que os fetos respondem a sons e parecem aprender a reconhecê-los. Após o nascimento, a audição do bebê ainda não está pronta, ela continua se desenvolvendo por muito tempo, mas já nos primeiros dias os bebês já podem distinguir os novos sons das falas que já conhecem ou ouviram, o que caracteriza o desenvolvimento da discriminação auditiva.
    Aos poucos a criança vai interagindo com os sons dos objetos/pessoas/ambiente a sua volta. É a cantigas de ninar, o som das portas abrindo e fechando, barulho da água do banho, telefone vibrando, enfim, uma infinidade de experiências servem de registros para a memória auditiva.  
   Estas memórias são de extrema importância, pois elas proporcionam maior facilidade para a criança identificar sons, no entanto, além de identificar se faz necessário discriminar, ou seja, perceber semelhanças e diferenças entre os mesmos, por exemplo: dependendo da intensidade e do timbre do latido de um cachorro é possível saber se podemos nos aproximar ou não.
    Do mesmo modo, quando a criança chega ao mundo letrado, ela terá que perceber que cada letra é composta por sons diferentes e quando aliadas as outras formam um novo som, portanto diferenciar, por exemplo o /pa/ do /ba/, ou “os olhos” dos “ozolhos” nem sempre é uma habilidade fácil, requer treino auditivo que deveria ter sido proporcionado muito antes do período de alfabetização, através de brincadeiras que podem ser realizadas com os familiares e também no contexto escolar.
Por exemplo:
Jogo de memória de sons:
Pode ser colocado diferentes objetos dentro de potes, cuidando para que tenha 2 potes com os mesmos objetos. Objetivo do jogo é que os jogadores encontrem os potes pares, sendo que para isso terão que sacudir os mesmos.
Jogo de Bingo de sons
Usando algum aplicativo  ou programa que tenha diversos sons gravados, fazer o jogo do bingo dos sons..

Na escola:
Encontro dos animais:
Cada criança, com os olhos vendados e cada uma receberá o nome de um animal para reproduzir o som. Num momento combinado todas devem começar a imitar a voz do animal e procurar os demais colegas que também estão emitindo o som parecido. Sugestão de animais: gato, cachorro, pinto, pato, vaca....etc.

Que som é esse?
As crianças de olhos vendados tentam ouvir o som proposto pelo professor e dizer qual é (por exemplo: fechar a porta, som de chocalho, som do apito, som de flauta, som de moedas caindo, etc).
Reprodução de sons
O professor pode proporcionar sequencias de sons que as crianças precisam reproduzir assim que solicitado. Por exemplo:
Palma, palma,_________palma, palma.
Palma, palma, pé (batida de pé), pé (batida de pé), palma, palma, palma.

Referência Bibliográfica:
ADAMS, Marilyn.[et al] Consciência fonológica em crianças pequenas. Porto Alegre: Artmed, 2006.
LAMPRECHT, Regina; BLANCO-DUTRA, Ana Paula (Orgs.). Consciência dos sons da língua: subsídios teóricos e práticos para alfabetizadores, fonoaudiólogos e professores de língua inglesa. Porto Alegre: EdiPUCRS, 2009.
PAPALIA. OLDS. FELDMAN. O Mundo da Criança - Da Infância à Adolescência , 11ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2010
SEABRA, Alessandra. DIAS, Natalia. Avaliação Neuropsicológica Cognitiva. Vol 2. São Paulo: Memnon, 2013.
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[1]Especialista em Alfabetização, Neuropsicopedagogia e Educação Inclusiva, Neuropsicopedagogia Clínica e Neuroaprendizagem. - whatsApp - 51 99248-4325
Como fazer a citação deste artigo:
HENNEMANN, Ana L.  Discriminação auditiva – estimulação para a alfabetização.  Novo Hamburgo, 08 de julho/ 2017. Disponível online em:  http://neuropsicopedagogianasaladeaula.blogspot.com.br/2017/07/discriminacao-auditiva-estimulacao-para.html






quarta-feira, 5 de julho de 2017

Consciência Fonológica – O que é? Como desenvolvê-la?

Ana Lúcia Hennemann
Um dos pré-requisitos essenciais para o processo da alfabetização é justamente a consciência fonológica, no entanto, você saberia dizer exatamente qual o significado dela?  Essa consciência se desenvolve sozinha ou há alguma maneira de estimulá-la?


      Desde os primeiros meses de vida os bebês vão ativando seus mecanismos atencionais voltados aos sons da fala produzidos por aqueles que estão a sua volta, no entanto ele não tem a capacidade de fazer  reflexões sobre as palavras ouvidas, portanto tudo isso são processos não conscientes, ou seja, um bebê não apresenta capacidade para entender que bola rima com cola, que as letras iniciais destas palavras se diferem, habilidades estas que uma criança antes de entrar no ensino fundamental já deve ter construído, pois no momento em que a criança começa a tomar consciência dos diferentes “arranjos” estruturais que compõem uma palavra,  pode-se dizer que ela adquiriu a consciência fonológica (ADAMS, 2006).
      A consciência fonológica é a habilidade de reconhecer e manipular os sons que compõem a fala, ou seja, entender que a palavra falada se constitui de partes que podem ser segmentadas e manipuladas (LAMPRECHT, 2009). Ao ouvir as palavras “bola” e “cola”, o indivíduo poderá perceber (através da consciência fonológica) que as duas palavras rimam, que ambas são compostas de 2 sílabas, 4 fonemas (sons) cuja diferença entre elas reside no fonema inicial.  Portanto, essa consciência é de extrema importância para a leitura e escrita das palavras, principalmente no processo de alfabetização. Ler e escrever requer a habilidade de transcodificar os sons da fala, pois o princípio alfabético é composto de relações entre fonema (som) e grafema (letra) que a criança, ao interagir com estas, deve ir aprendendo a analisá-las, diferenciá-las, aproximá-las, até chegar a compreensão que os sons associados às letras são os mesmos utilizados na fala (ADAMS, 2006).
    Através destes entendimentos é fácil concluir que a aprendizagem da leitura e escrita não são atividades que se resumem apenas na memorização visual das palavras, mas sim, um processo que requer conhecimento das estruturas dos sons da fala (SEABRA, 2013). Por exemplo, uma criança ao interagir com a palavra: “SAPATO”, vai descobrindo que esta pode ser fragmentada em sílabas, que inicialmente podem ser identificados como “pedaços”: ‘SA’, ‘PA’, ‘TO’, ou fragmentada em letras s, a, p, a, t, o, em fonemas: /s/,/a/,/p/,/a/ /t/, /o/, que há outras palavras dentro desta palavra: SAPA, PATO, palavras estas que inicialmente são mais fáceis de serem identificadas, porém no momento em que a criança tiver a consciência de manipular os grafemas e fonemas, poderá formar outras palavras: SOPA, TAPA, PATA, TOPA, PASTO, PASTA, POSTA... Através do exemplo, pode-se perceber que a consciência fonológica é muito mais abrangente que a relação letra/som, ela engloba diferentes modalidades linguísticas, tais como consciência de sílaba, fonema, rima, aliteração.[1]
     Crianças que têm a consciência fonológica bem desenvolvida podem ter maior facilidade na aprendizagem da leitura e escrita, sendo que essa consciência pode ser treinada através de brincadeiras e jogos compatíveis com a idade e o desenvolvimento neurobiológico da criança. Sendo assim, a estimulação precoce da consciência fonológica, proporcionada por familiares e professores (principalmente da Educação Infantil) podem fazer o diferencial em futuras aquisições da leitura e escrita das crianças.
    
  Por exemplo: na aliteração, o uso de trava-línguas:
- O rato roeu a roupa do rei de Roma e a rainha de raiva roeu o resto.

    Rimas: declamação de versos ou livros tais como: “Você troca” de Eva Furnari  

   
 Sílabas: Brincadeira do pula sílabas:
 Fonemas:  
- Jogo soletrando- soletrar as palavras correspondentes as imagens...
- Ou brincar de: O que começa com o mesmo som de.....



[1] Aliteração são palavras que possuem o mesmo ONSET (ONSET – elemento que vem antes do núcleo (vogal) da sílaba).

Referência Bibliográfica:
ADAMS, Marilyn.[et al] Consciência fonológica em crianças pequenas. Porto Alegre: Artmed, 2006.
CAPELLINI, Simone. GERMANO, Gisele. PROHFON – Protocolo de Avaliação das Habilidades Metafonológicas. São Paulo: Book Toy, 2016.
LAMPRECHT, Regina; BLANCO-DUTRA, Ana Paula (Orgs.). Consciência dos sons da língua: subsídios teóricos e práticos para alfabetizadores, fonoaudiólogos e professores de língua inglesa. Porto Alegre: EdiPUCRS, 2009.
SEABRA, Alessandra. DIAS, Natalia. Avaliação Neuropsicológica Cognitiva. Vol 2. São Paulo: Memnon, 2013. 

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Especialista em Alfabetização, Neuropsicopedagogia e Educação Inclusiva, Neuropsicopedagogia Clínica e Neuroaprendizagem. - whatsApp - 51 99248-4325
Como fazer a citação deste artigo:
HENNEMANN, Ana L.  Consciência Fonológica – O que é? Como desenvolvê-la?  Novo Hamburgo, 05 de julho/ 2017. Disponível online em:  http://neuropsicopedagogianasaladeaula.blogspot.com.br/2017/07/consciencia-fonologica-o-que-e-como.html


sexta-feira, 16 de junho de 2017

Introdução à neuropsicopedagogia – Santa Cruz do Sul


     O que te faz escolher determinada pós-graduação? Você simplesmente escolhe em virtude do nome? Ou por achar que vai ser legal? Ou talvez porque tem algumas disciplinas que tem interesse? Estes alguns questionamentos que me fiz ao optar pela neuropsicopedagogia. E também insisto em perguntar para as turmas às quais leciono: - Quais as expectativas que você faz desta pós? – Quais expectativas dos que convivem com você tem ao mencionar sobre a pós que está cursando?
     Podem parecer perguntas simples, com respostas óbvias, mas certamente há um objetivo amplo dentro destes questionamentos, ou seja, instigar o aluno a refletir sobre a profissão de neuropsicopedagogo, a entender as bases que estruturam esta ciência, saber diferenciar a neuropsicopedagogia de ciências próximas, no entanto com características bem diferenciadas, tais como a neuropsicologia e psicopedagogia.
    Conforme o Código de Ética Técnico Profissional da Neuropsicopedagogia, no capítulo II, artigo 10, encontramos a seguinte definição desta ciência:
A Neuropsicopedagogia é uma ciência transdisciplinar, fundamentada nos conhecimentos da Neurociências aplicada à educação, com interfaces da Pedagogia e Psicologia Cognitiva que tem como objeto formal de estudo a relação entre o funcionamento do sistema nervoso e a aprendizagem humana numa perspectiva de reintegração pessoal, social e educacional. (SBNPP, 2016, p. 3)
     Na leitura desta definição percebemos a tríade: neurociências aplicadas à educação, pedagogia e psicologia cognitiva. Se comparamos com a psicopedagogia, entenderemos que ela não prioriza a psicologia cognitiva, se compararmos com a neuropsicologia também podemos entender que a mesma não faz menção apenas ao foco da neurociência voltada à educação. Então, nestes simples aspectos, já há um grande diferencial, pois são estas as estruturas que vão fundamentar inclusive o tipo de avaliação que o profissional de cada área fará uso dentro do seu contexto de atuação.
    Também nesta perspectiva, os alunos dos cursos de pós-graduação do Censupeg já iniciam a pesquisa nos documentos básicos da SBNPP, ou seja: o Código de Ética Técnico Profissional, Nota Técnica 01/2016, Nota Técnica 02/2017, bem como recebem a informação de como se associar a esta sociedade que é uma entidade de maior referência  no universo da neuropsicopedagogia e suas extensões, onde o associado adquire vantagens e benefícios, tais como: - contribuir para o reconhecimento da profissão do neuropsicopedagogo; - orientação básica de como abrir seu espaço após a conclusão da pós-graduação; - acesso ao boletim informativo que traz publicações recentes e importantes sobre a Neuropsicopedagogia; -desconto de 20% na compra do livro da Dra Rita Russo (Neuropsicopedagogia Clínica – Introdução, conceitos, teoria e prática); - descontos em eventos da SBNPp e também em livrarias conveniadas a esta sociedade.
    Portanto, esta disciplina de Introdução à Neuropsicopedagogia tem como objetivo mostrar toda contextualização estrutural do curso, ou seja, mostrar um panorama do conceito de neuropsicopedagogia, as bases que a compõe, perfil profissiográfico do neuropsicopedagogo, diferenças entre os campos de atuação, que tipo de instrumentos utilizará para fazer avaliação e intervenção, bem como entender a importância da leitura dos documentos que fundamentam esta ciência. Por isso, que no dia 10/06 a turma de Neuropsicopedagogia de Santa Cruz do Sul realizou atividades que visavam desde a contemplação de power point contendo estas informações até mesmo a consulta do Código de Ética Técnico Profissional como forma de pesquisar estudos de caso envolvendo a conduta profissional de neuropsicopedagogos, ou seja, casos fictícios criados como forma de exercitar a pesquisa deste documento. O interessante de tudo foi a oportunidade de trocas de saberes, de expor as dúvidas, de buscar o entendimento de todo contexto que envolve a neuropsicopedagogia.

Bibliografia:
SBNPP. RESOLUÇÃO SBNPp N° 03/2014, Joinville: SBNPP, 2014

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Avaliação e Intervenção Psicopedagógica – Lajeado - RS


Apostar na educação é uma das ferramentas mais poderosas que podemos proporcionar ao país. Preocupar-se com os processos de ensino aprendizagem é dever de todo e qualquer profissional que trabalha no contexto educativo, no entanto, nem sempre há o entendimento do que fazer quando o aluno não aprende, principalmente quando o professor expressa que já fez tudo e mesmo assim não conseguiu um retorno positivo.
Muitas vezes, tratando-se da não aprendizagem, se faz necessário, um olhar de um profissional que se utiliza de instrumentos capazes de avaliar quais os aspectos que se mostram deficitários na aprendizagem da criança, ou seja, o psicopedagogo.
O psicopedagogo é um profissional que cujos conhecimentos dos processos cognitivos, emocionais e corporais, auxiliam no processo ensino aprendizagem, contribuindo de forma significativa para a melhoria acadêmica do estudante.
Através da disciplina de Avaliação e Intervenção Psicopedagógica - Clínica (do curso de Psicopedagogia Institucional e Clínica do Censupeg), o futuro psicopedagogo irá “entender e elaborar a contextualização das avaliações psicopedagógicas em situações clínicas verificando quais os procedimentos técnicos e encaminhamentos psicopedagógicos no atendimento de sujeitos com dificuldades de aprendizagem, bem como, elaborar pareceres e devolução de diagnóstico”.
A avaliação psicopedagógica tem como objetivo principal investigar quais as dificuldades ou entraves do sujeito no seu processo de aprender diante do esperado pelo meio social, ou seja, identificar dificuldades que possam estar impedindo o sujeito de desenvolver o processo ensino aprendizagem de forma eficaz, procurando deste modo, descobrir a forma de como o conhecimento é elaborado por esse sujeito.
Como se pode perceber, avaliação e intervenção, requerem muitas horas de estudo, escolhas de instrumentos adequados para cada contexto e técnicas de intervenções que contemplem os resultados mostrados na avaliação. Nesse sentido, podemos afirmar que a formação do psicopedagogo se faz mediante muito empenho, leituras constantes e trocas de saberes (práticos e teóricos).  

domingo, 16 de abril de 2017

“Chuvinha” de neurotransmissores

Como a escolha de uma música pode mudar seu dia


Ana Lúcia Hennemann¹ 

“Canta canta minha gente deixa a tristeza prá lá, canta alto forte que a vida vai melhorar.” - Martinho da Vila

     E a atriz coadjuvante de nossas vidas é sempre ela: a música. Estou certa? Ou poderíamos fazer a tentativa de imaginar o mundo sem ela?
    Imagine-se em atividades que precise colocar motivação e empenho: faxina da casa, limpeza do carro ou exercícios na academia. Certamente tudo fica mais prazeroso ao som da música que você tanto gosta. Mas por outro lado, imagine-se acordando desanimado, saiu de casa e encontrou alguém que lhe conta algo triste, e para completar liga o rádio e está tocando justamente aquela música melancólica que te faz lembrar do amor que não deu certo, de brigas com pessoas que tanto ama, do trabalho cansativo?  Sem perceber você acaba transformando algo que já não estava bom, em pior ainda!!! E tem gente que ainda diz: era a música perfeita para o meu dia...
    Nada disso, nada de aumentar o sofrimento. Vamos refletir sobre o assunto:  por que a música exercer tamanha influência sobre nossos sentimentos?  Caso nunca tenha se perguntado sobre isso, saiba que pesquisadores descobriram que a música tem a capacidade de aumentar ou diminuir a produção de neurotrofinas (proteínas responsáveis pela sobrevivência, desenvolvimento e funcionalidade dos neurônios) afetando, assim, o funcionamento do sistema nervoso. O sistema das neurotrofinas é capaz de regular processos celulares vitais como a liberação de neurotransmissores, tais como a dopamina e a noradrenalina. A dopamina é um neurotransmissor relacionado ao prazer, bem-estar e recompensas enquanto que a noradrenalina nos proporciona excitação física, mental, e bom humor. 
    Assim como palavras são gatilhos que fazem pensar em determinadas situações, sons ou imagens, a música faz isso com maior abrangência, pois ela ativa diversas regiões cerebrais ao mesmo tempo, envolvendo áreas responsáveis por interpretar as diferentes alturas, timbres, ritmos e modulação do sistema de prazer e recompensa envolvido na experiência musical.
     De acordo com Tolstói (1889 apud Miranda, 2013):

 A música obriga a esquecermo-nos da nossa verdadeira personalidade, transporta-nos a um estado que não é o nosso. Sob a influência da música temos a impressão de que sentimos o que não sentimos; que compreendemos o que na realidade não compreendemos; que podemos o que não podemos[...] A música transporta-nos, de surpresa e imediatamente, ao estado de alma em que se encontrava o artista no momento da criação, confundimos a nossa alma com a dele e passamos de um estado a outro sem saber por que o fazemos.

      Quanto maior a sensação de prazer relacionada a uma música maior é a quantidade de associações que o nosso cérebro realiza com a mesma e maior será a liberação de dopamina ou noradrenalina. A música pode alterar nosso estado fisiológico através dos sistemas nervoso e endócrino.
Portanto, se você se quer ter um dia agradável ouça músicas que lhe despertam sensações que promovam o seu bem-estar. Do mesmo modo quando pensamos em questões de aprendizagem, a música pode ser um aliado altamente eficaz. Por exemplo: que tal começar a aula com uma boa música? Automaticamente os alunos estão sendo preparados para a recepção do conteúdo, pois relaxam, ficam mais descontraídos (o que promove a interação professor X aluno). Ouvir música exige o desenvolvimento da capacidade de concentração, além de promover a criatividade pois sensibiliza o aluno.
    Outra alternativa é solicitar que eles criem músicas relacionada ao conteúdo da disciplina, com isso, há muito maior aprendizagem, pois eles terão que utilizar os conhecimentos prévios e evidenciá-los através das habilidades de leitura, escrita, interpretação, ritmo, entonação de voz, e por aí adiante. Portanto, dentro do contexto educacional a música traz o benefício de ampliar e facilitar a aprendizagem.
   Seja por motivos pessoais, na execução de uma atividade ou situação de aprendizagem, o importante mesmo é seguir a ordem do poeta, mas com o entendimento de que ao cantar, alto e forte, a vida vai melhor, pois “chuvinhas” de substâncias prazerosas estarão modulando seu cérebro e, consequentemente, todo o seu organismo.  

Referências:
MIRANDA, Matheus. A música e as emoções. Disponível online em: http://migre.me/oNqAy
MUSZKAT, Mauro. Música, Neurociência e Desenvolvimento humano.   http://migre.me/oNlcG
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[1]Especialista em Alfabetização, Neuropsicopedagogia e Educação Inclusiva, Neuropsicopedagogia Clínica e Neuroaprendizagem. - whatsApp - 51 99248-4325
Como fazer a citação deste artigo:

HENNEMANN, Ana L.  “Chuvinha” de neurotransmissores.  Novo Hamburgo, 16 de abril/ 2017. Disponível online em:  http://neuropsicopedagogianasaladeaula.blogspot.com.br/2017/04/chuvinha-de-neurotransmissores.html

segunda-feira, 27 de março de 2017

Habilidades Matemáticas – Cruz Alta - RS


Em meados de março,  lecionei na cidade de Cruz Alta, a disciplina de Fundamentos e Prática Multiprofissional V- Habilidades Matemáticas. Nesta cidade a gestora é a Cristina Librelotto Rubin, que por falar em habilidades, ela tira de letra.
 Imagem vocês que ela se encontrava fora do país, mas se fazia presente em todo e qualquer momento da aula. É muita dedicação provinda destas gestoras do Censupeg, no caso da Cristina, toda a organização do ambiente se encontrava impecável, tudo pensando com muito carinho para que nossas pós-graduandas pudessem estudar com tranquilidade. E também, volta e meia se ouvia uma das meninas anunciando que ela estava solicitando notícias do dia!!!
A disciplina de Habilidades Matemáticas, como já foi mencionada em outras publicações, estuda alguns pré-requisitos que as crianças precisam ter desenvolvido para que a aprendizagem flua com maior facilidade.
Já nos primeiros anos de vida a criança já vai adquirindo noções de quantidade numérica, por exemplo: quando os cuidadores da mesma pedem para ela mostrar com os dedos quantos anos ela tem ou então contar determinados objetos, estas atividades proporcionam a noção de número, ou seja, consciência numérica.
Outro fator importante é que a criança desenvolva a percepção visuoespacial, e aí os jogos de encaixe podem auxiliar e muito, pois ela precisa ter noção de virar as peças para que as mesmas sejam inseridas no local certo. Do mesmo modo, também é fundamental que já no ambiente familiar se trabalhe noções de perto, longe, por exemplo, quando alguém diz: - vem para perto da mamãe...próximo do papai...ao lado da titia...através de instruções como estas, a criança já vai aumentando a sua percepção visuoespacial.
Outro fator de destaque é a linguagem matemática, que aparece através de símbolos, representação por escrito dos números e interpretação de enunciados. Então, desde placas que aparecem na rua, ou mesmo, teclas de computador, celular, há a possibilidade de despertar o interesse da criança por esta linguagem. Leitura de livros, jornais, revistas, jogos com números e seus respectivos nomes apresentam-se como recursos lúdicos capazes de fazer a interação: criança x linguagem matemática.
O que se destaca em todas as habilidades de aprendizagem é questão da atenção. Se a criança apresenta dificuldade atencional, certamente ela terá muita dificuldade em ter a “concentração” necessária para aprender matemática. E isto também se relaciona com as funções executivas, pois a inibição de comportamento é um tópico importante para a aprendizagem.
Quantas vezes, nos deparamos com indivíduos que começam a atividade e insistem em resolver a questão do mesmo modo, modo este que talvez já tenha se mostrado incorreto. Nesse sentido, o bom funcionamento das funções executivas faz com que os indivíduos tenham um planejamento, uma organização sequencial, consigam fazer autocorreção da atividade que estão desempenhando.

Enfim, estes foram apenas alguns pequenos tópicos da aula, no entanto, há muito mais, por isso que o Censupeg é a referência número um em curso de Pós-Graduação em Neuropsicopedagogia, porque investe na excelência educacional.

Fundamentos e Prática em Equipe Multiprofissional – Igrejinha - RS

     

Me sentindo em débito com as amadas de Igrejinha!!!

     A aula ocorreu no início de março, no entanto o encanto dessas meninas pela neuropsicopedagogia é algo contagiante que perpassa a barreira do tempo/espaço.
    Igrejinha, cidade aqui do Rio Grande do Sul, na qual os cursos de pós-graduação do Censupeg ocorrem sob a responsabilidade da gestora Sigrid Becker. Gente, essa mulher é um show! Está presente em muitos momentos da aula procurando auxiliar em tudo que for necessário tanto para os alunos quanto os professores. Nela também fica evidente o “jeito Censupeg de ser”.
    Antes que me perguntem: - Afinal de conta que jeito é esse? Já esclareço com propriedade que existem muitas definições para o “jeito Censupeg de ser”, sendo que, uma em especial carrego dentro do meu coração, a mesma ecoa através das palavras do diretor presidente Sandro A. Albano, quando ele diz: [...]o que não dá para faltar em educação é AMOR e CARÁTER [...] quando você aprende que fazer o bem é muito gostoso e que ajudar os outros fica perfume nas suas mãos, a gente vai entender que dá para fazer um mundo melhor, como a gente já está fazendo.
    Como professora, amante da profissão, tento dar o meu melhor, contudo jamais posso deixar de perceber que aqueles que estão dentro da sala de aula, também estão dando o melhor deles, buscando melhorar sua qualificação para “perfumar a vida de tantos outros”, e é isso que estas amadas neuropsicopedagogas de Igrejinha me fizeram perceber durante as disciplinas de Fundamentos e Prática em Equipe Multiprofissional IV e V, ou seja Linguagem e Habilidades Matemáticas. Foram dois dias de estudo, prática profissional, exercício de aplicação de testagens e interpretação dos resultados obtidos como forma de sistematizar quais as intervenções a serem propostas.
    A estrutura curricular do curso de Pós-Graduação em Neuropsicopedagogia, proposta pelo Censupeg, apresenta ao todo 5 disciplinas de Fundamentos, todas elas voltadas a áreas que o neuropsicopedagogo deverá avaliar e intervir, fundamentadas desde a base neurobiológica, desenvolvimento típico e atípico, bem como quais instrumentos podem ser utilizados na avaliação e intervenção.  
    Nossos alunos são orientados em conformidade com o Código de Ética Técnico Profissional de Neuropsicopedagogia, a Nota Técnica 01/2016 e o livro Neuropsicopedagoga Clínica da Drª Rita Russo. Nesse sentido, como instituição, temos certeza de que estamos formando profissionais altamente qualificados e que farão a diferença no contexto neuropsicopedagógico, principalmente porque  foram ensinados nos princípios do AMOR e CARÁTER. 

domingo, 26 de março de 2017

Avaliação e Intervenção Neuropsicopedagógica - Clínica

     Santa Cruz do Sul - RS
    Na cidade de Santa Cruz do Sul -RS os cursos de neuropsicopedagogia estão em alta, graças a dedicada gestora Marcia Gewehr (http://cursoposneuro.com.br/ ) que tem um “jeito Censupeg de ser”, ou seja, apresenta um cuidado especial para com todas as turmas que estão sob sua responsabilidade procurando atender as especificidades de cada turma, mas sem esquecer que há todo um conjunto de orientações maiores a serem cumpridas.
     Em especial, esta sala de aula composta de 36 neuropsicopedagogas, há dois anos vem se preparando para desempenhar com maestria esta nova profissão. São horas e horas de aula, estudo, empenho, dedicação, atenção seletiva (foco no que realmente deve ser feito) e eliminação de distratores. Enfim, precisam dizer não, a muitas coisas que também são essenciais, para que se tenha pleno êxito acadêmico.
     E a “bola da vez” foi a disciplina de Avaliação e Intervenção Neuropsicopedagógica, onde o Censupeg, instituição que administra o curso, tem uma preocupação que os alunos realmente saibam quais são os tópicos essenciais para uma boa avaliação e intervenção. A disciplina visa preparar o neuropsicopedagogo para a futura prática clínica, trazendo a contextualização e aprendizagens de todas demais disciplinas da grade curricular do curso.
    Portanto, para que isso aconteça, se faz necessário que os alunos tenham o conhecimento do conteúdo da Nota Técnica 01/2016, que atendendo Resolução 03/2014 (capítulo II)  descreve os princípios fundamentais e diretrizes para a ação do neuropsicopedagogo.
     Do mesmo modo, o Código de Ética Técnico Profissional da Neuropsicopedagogia, em seu artigo 31, que descreve a atuação do Neuropsicopedagogo Clínico, priorizando a:
d) Utilização de protocolos e instrumentos de avaliação e reabilitação devidamente validados, respeitando sua formação de graduação; 
     Nesse sentido, cabe ressaltar que quando temos o entendimento que um dos princípios da avaliação neuropsicopedagógica é a investigação das funções cognitivas, entendemos o porquê do uso de instrumentos padronizados, pois não há como avaliar habilidades de linguagem, raciocínio, atenção, percepção, abstração, memória, aprendizagem, funções motoras e executivas, pautado apenas na subjetividade, se faz necessário ter parâmetros de comparação embasado na cientificidade.
     Um dos elementos primordiais desta disciplina, se dá através da leitura dos capítulos IV  e V, do livro Neuropsicopedagogia Clinica – Introdução, Conceitos, Teoria e Prática, o qual traz detalhadamente o “como, para que e porquê”, fazer a avaliação e intervenção neuropsicopedagógica. Também é importante salientar que na atualidade este livro é o único chancelado pela SBNPp, pois sua escrita está de acordo com o Código de Ética Técnico Profissional da Neuropsicopedagogia.
   Nesse sentido, não há como ser neuropsicopedagogo sem saber o conteúdo descrito nestes materiais. E certamente essa turma de Santa Cruz do Sul, aproveitou cada minuto da aula para aprimorar a sua qualificação. 

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Pão e circo cativando seus neurônios-espelho

Ana Lúcia Hennemann[1]

“[...] quanto mais ele contempla, menos vive; quanto mais aceita reconhece-se nas imagens dominantes da necessidade, menos ele compreende a sua própria existência e o seu próprio desejo.” Guy Debort

      Já aconteceu com você estar passando por algum local e de repente uma ou duas pessoas começam a olhar para algum ponto no céu e sem perceber você imita o gesto? É algo instintivo. Há um vídeo no youtube intitulado “Face the Rear” que retrata o seguinte cenário: alguém entra no elevador e em seguida 2 ou 3 atores entram e se posicionam de costas, inicialmente a pessoa olha com indignação, mas aos poucos o indivíduo vai virando e fica na mesma posição que os demais.
Imagem: Revista MeuCérebro/ Fev_2015
       Já imaginou se alguém ou um grupo se utilizasse de todo esse conhecimento para uma grande massa social? Induzissem pessoas a imitarem outras? Chorar quando outras chorassem, rir quando elas rissem, ficar indignado se elas passassem por situações de injustiça, enfim se preocuparem com a vida alheia e esquecer suas próprias vidas? Pois bem, isso aconteceu há muito tempo em Roma e ficou conhecida como a política do “Pão e Circo”.
        O povo trabalhava demais para sustentar o luxo de poucos; a comida escassa, mas recebiam trigo gratuitamente, então satisfazia as necessidades básicas; haviam livros, entretanto apenas alguns dominavam a arte da leitura. Os mais ousados começaram a criticar a forma de governo e perguntar sobre o valor dos impostos arrecadados; os reis, governantes da época perceberam a desmotivação e entenderam que precisavam agir, não poderiam abdicar de todo aquele luxo para satisfazer as vontades alheias.
       Naquele tempo não se entendia nada sobre cérebros humanos, de como se processava os pensamentos, de neurônios-espelho, rapport, empatia, projeção, mas era necessário modificar o padrão de pensamento, as conexões neurais daqueles indivíduos, caso contrário a insatisfação iria tomar conta de seus corpos e como eram muitos poderiam acabar com o privilégio da minoria.
        Os governantes reuniram-se e logo concluíram que o povo precisava de entretenimento, algo com o que se identificassem, sofredores, guerreiros em busca de vitória, liberdade, desejo de vencer a todo custo. Mas não eram todos que venceriam, somente alguns, aqueles que conquistassem a admiração de todos e mostrassem garra para esta conquista...e foi assim que corpos esculpidos apareceram em plateias de 50.000 mil a 90.000 mil espectadores. Em troca da tão sonhada liberdade, presentes caros, fama e glória, os gladiadores submetiam-se às exposições vis e banhadas de sangue e suor. E o povo ali, apenas dando uma espiadinha, rindo, divertindo-se em família, achando graça do infortúnio alheio. Projetando seus sonhos, suas necessidades, esquecendo suas angústias.
      Aos poucos, o sentimento de descontentamento era trocado pelo desejo de ver quem sairia vitorioso na próxima batalha, quem seria derrotado pelos demais, alguns criticavam toda essa artimanha, mas eles já não tinham voz, pois o povo em geral estava feliz.  Mas lógico, isso tudo ocorreu num século onde as pessoas da época não tinham os recursos e conhecimentos que temos na atualidade para entender todo o entorno que se passa por trás dos bastidores.
       No século XXI, o cenário modificou, mas as estratégias usadas no primeiro século continuam as mesmas: “Pão e circo” ativando os neurônios-espelho! Dentro do nosso cérebro temos regiões especificas que quando ativadas faz com que sentimos emoções e sentimentos de outros como se fossem nossos. É o sentir com o outro e como o outro. Estas células especializadas nos fazem perceber expressões, sentimentos e antever reações de outros indivíduos. Conforme o neurocientista Rizzolatti:  "Os neurônios-espelho nos permitem captar a mente dos outros não por meio do raciocínio conceitual, mas pela simulação direta. Sentindo e não pensando."
      Assim como na Roma antiga, milhares de pessoas sentiam simpatia e desprezo pelos gladiadores, hoje temos de forma mais mascarada o mesmo espetáculo, os famosos reality shows. Mesmo que for para dar a famosa espiadinha, o fato é que muitos se deixam contagiar pelo enredo deste grande circo. Os neurônios-espelho são ativados e fazem com que o povo comece a vivenciar as reações de seu “jogador” preferido.
      Goleman, no livro Inteligência Social, menciona que em 1970 uma equipe de pesquisadores de Israel reuniu um grupo de voluntários para assistir vários clipes de filmes procurando entender parte dos mecanismos neurais envolvidos entre a tela e o espectador. Exames de ressonância magnético funcional eram realizados simultaneamente entre todos os envolvidos e percebeu-se que o cérebro dos espectadores agia como se a história imaginária estivesse acontecendo com eles, evidenciando assim que o cérebro faz pouca distinção entre realidade virtual (imaginária) e real. Conforme Goleman (2011, p.23), “quando o cérebro reage a cenários imaginados da mesma maneira que reage aos cenários reais, o imaginário tem consequências biológicas.[...] quanto mais notável e surpreendente o acontecimento, maior a atenção do cérebro.”
       Quando as pessoas estão aborrecidas e entediadas, tornam-se disfuncionais, começam a perceber fatos que desagradam todo o sistema à sua volta. Todavia, quando dominadas pelas emoções, focando a atenção em pequenos grupos, projetam-se ali, nem que seja apenas para uma “espiadinha”. Séculos se passaram e o homem ainda não dominou a arte de dominar a si mesmo. isso traz significativas consequências sociais. De agora em diante é preciso lembrar que “Pão e o Circo” anseiam dissimuladamente pelos seus neurônios-espelho.

Referências:
GOLEMAN, Daniel. Inteligência social: o poder das relações humanas. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011.
GUARINELLO, Norberto. Violência como espetáculo: http://migre.me/orEaQ
Como fazer a citação deste artigo:

HENNEMANN, Ana L.   Pão e circo cativando seus neurônios-espelho. Novo Hamburgo, 25 fevereiro/ 2017. Disponível online em:  http://neuropsicopedagogianasaladeaula.blogspot.com.br/2017/02/pao-e-circo-cativando-seus-neuronios.html




[1] Especialista em Alfabetização, Neuropsicopedagogia e Educação Inclusiva, Neuropsicopedagogia Clínica e Neuroaprendizagem. Professora de Pós-Graduação pelo CENSUPEG / Membro do Conselho Técnico Profissional da SBNPp - whatsApp - 51 99248-4325

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

“Pseudo”- transtornos específicos de aprendizagem

Ana Lúcia Hennemann[1]

Talvez não tenha conseguido fazer o melhor, mas lutei para que o melhor fosse feito. Não sou o que deveria ser, mas graças a Deus, não sou o que era antes. (Marthin Luther King)

Toda criança ao cursar os primeiros anos de escolaridade formal evoca, naqueles que interagem com ela, expectativas relacionadas ao processo de aprendizagem. Será um período de continuidade do todo o trabalho já desenvolvido na Educação Infantil, no qual a criança no findar dos três primeiros anos do Ensino Fundamental I deverá ter condições de ler, escrever, interpretar, calcular, ou seja, adquirir habilidades básicas que servirão de suporte para os demais anos acadêmicos.
Enfatizamos uma educação que tenha o olhar na individualidade do aluno, mas também é na escola que as crianças estão inseridas num ambiente de coletividade e muitas vezes os seus pares (seus colegas) é que servem de parâmetro para identificar como está o processo de aprendizagem de cada indivíduo. E quando esta aprendizagem se mostra mais lenta comparada aos demais, se faz necessário um olhar mais abrangente dos profissionais da educação principalmente procurando investigar se há ou não critérios que sinalizam um Transtorno Específico de Aprendizagem.
Os Transtornos específicos de aprendizagem são aqueles onde há déficits específicos relacionados a capacidade do indivíduo perceber ou processar informações com eficiência e precisão. Eles geralmente se manifestam durante os primeiros anos de escolaridade formal, cujas características marcantes são as dificuldades persistentes e prejudiciais nas habilidades acadêmicas de leitura, escrita  e/ou  matemática.
Numa leitura superficial, certamente muitas crianças poderiam aí ser classificadas; e percebe-se que muitas delas são enviadas ao atendimento especializado pautados nas dificuldades persistentes das habilidades acadêmicas. O DSM-V (Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais), que inicialmente era material de referência para aqueles que trabalham na área da saúde, atualmente, tem se mostrado leitura obrigatória para todos aqueles que atuam na área educacional principalmente porque nele há a descrição detalhada dos Transtornos específicos de aprendizagem.
O DSM-V, traz critérios de classificação destes transtornos, subdivididos em 4 níveis e especificados em subitens, o que faz com se tenha bem claro a diferença entre crianças com dificuldades das que realmente apresentam transtornos. Por exemplo: logo no critério A, existe a questão dos sintomas a serem elencados persistirem durante 6 meses APÓS INTERVENÇÃO.
Não há muita clareza, sobre quais os tipos de intervenções a serem realizadas, no entanto elas abrangem desde o contexto educacional e até mesmo o clínico. Mousinho e Navas (2016, p. 39) observam que
O texto que inicia o critério A traz uma das maiores novidades dessa edição do DSM para os transtornos específicos de aprendizagem, que é a inclusão da proposta de resposta à intervenção (response to intervention – RTI). Trata-se de um modelo em que o diagnóstico não é dado a priori; inicialmente, pode ser estabelecida uma hipótese diagnóstica, que deve ser confirmada após um período de intervenção eficaz e cientificamente embasada.
Quando a criança não está aprendendo devemos sim, investir em todos recursos necessários para entender o que está dificultando a sua aprendizagem, contudo, como professores não podemos nos eximir do nosso dever de ensinar e também proporcionar qualidade neste ensino para que a mesma venha obter resultados satisfatórios. Cada indivíduo tem seu próprio ritmo de aprendizagem, sendo que muitas vezes isto é desconsiderado, avaliando todos utilizando-se de mesmo critérios. Por exemplo: digamos que uma criança provenha de um lar onde não há estímulo para a leitura, onde talvez a linguagem entre os moradores deste local seja pobre de conteúdo e não exista hábitos de estudo. Certamente, esta criança vai apresentar um ritmo de aprendizagem diferente das crianças que tenham qualidade de estímulos, talvez a escrita dela apresente frases curtas e com muitos erros ortográficos, mas isto não quer dizer que ela tenha um transtorno de aprendizagem, mas sim que ela necessita de maior intervenção pedagógica. E o interessante aqui é verificar o quanto esta criança, ao longo do tempo, melhorou seu desempenho acadêmico usando como parâmetro ela mesma.
Salles et al (2013) em seu artigo “Normas de desempenho em tarefa de leitura de palavras/pseudopalavras isoladas (LPI) para crianças de 1º ano a 7º ano” comprovam que o desempenho das crianças em leitura melhora no decorrer dos anos escolares, através de boas intervenções. E também outro dado significativo deste artigo é que crianças de escolas públicas no primeiro ano de educação formal apresentam índices mais baixos de leitura comparadas às de escola privada, no entanto quando chegam ao final do terceiro ano, o desempenho delas se igualam, o que nos leva a perceber o quanto a educação promove a neuroplasticidade das crianças, ou seja, é o “meio modificando o meio”.
Jaime Luiz Zorzi, em seu livro “Aprendizagem e distúrbios da linguagem escrita: Questões clínicas e educacionais” utiliza uma expressão que há muito tempo me inquieta e tem sido fruto de longas reflexões e debates com outros colegas da área. O autor menciona sobre os “Pseudo Distúrbios de Aprendizagem”, ou seja, quando todas as deficiências do ensino aprendizagem são depositadas no aprendente. Como o livro foi publicado em 2003, e o DSM-V em 2013, poderíamos dizer que Zorzi faz menção aos “Pseudo- transtornos específicos de aprendizagem”
Pseudo transtornos de aprendizagem ocorrem quando deixamos de proporcionar nosso melhor na educação, quando pensamos que cada criança tem seu tempo de aprender e nos “poupamos” de prover recursos que promovam a aprendizagem desta criança.
Esta situação nos faz perceber o quanto se faz necessário qualificar ainda mais os profissionais que trabalham nos anos iniciais, que são os voltados ao período de alfabetização e isto não se redireciona somente a leitura e escrita, mas sim a todos os comprometimentos que envolvem este contexto.
 A educação escolar poderia ser comparada como a construção de um edifício onde a educação infantil deveria se preocupar com todo a estrutura que fica abaixo da terra, que dará o suporte para as etapas posteriores do prédio, mas logo em seguida, se as primeiras paredes não forem bem assentadas, que é justamente o papel dos anos iniciais, este prédio pode não resistir aos primeiros vendavais, trepidações e assim por diante. Os andares posteriores do prédio correspondem ao ensino fundamental, ensino médio, graduação, pós-graduação ou seja, cada andar necessita ser bem-acabado para dar suporte ao próximo. Mas também temos que ter o entendimento que se ocorreram lacunas de anos anteriores, não adianta procurar quem falhou, mas sim, quais são as falhas e de que modo elas podem ser remediadas, pois educação é acima de tudo investimento no ser humano.
Devemos lembrar que existem sim, transtornos de aprendizagem, mas jamais devemos confundi-los com os pseudo transtornos, como forma de justificar algo que deixamos de fazer.

Referências Bibliográficas:

MOUSINHO, Renata, NAVAS, Ana. Mudanças apontadas no DSM-5 em relação aos Transtornos Específicos de Aprendizagem em leitura e escrita. Disponível online em: http://www.abp.org.br/rdp16/03/RDP_3_201604.pdf

SALLES, Jerusa. Et al. Normas de desempenho em tarefa de leitura de palavras/pseudopalavras isoladas (LPI) para crianças de 1º ano a 7º ano. Disponível online em: http://www.revispsi.uerj.br/v13n2/artigos/pdf/v13n2a02.pdf

ZORZI, Jaime. Aprendizagem e distúrbios da linguagem escrita: Questões clínicas e educacionais. Porto Alegre, Artmed, 2003.

Como fazer a citação deste artigo:

HENNEMANN, Ana L.  “Pseudo”- transtornos específicos de aprendizagem. Novo Hamburgo, 23 fevereiro/ 2017. Disponível online em:  http://neuropsicopedagogianasaladeaula.blogspot.com.br/2017/02/pseudo-transtornos-especificos-de.html







[1] Especialista em Alfabetização, Neuropsicopedagogia e Educação Inclusiva, Neuropsicopedagogia Clínica e Neuroaprendizagem.  Professora de Pós-Graduação pelo CENSUPEG / Membro do Conselho Técnico Profissional da SBNPp  - whatsApp - 51 99248-4325